sábado, 8 de outubro de 2011

Prémio Nobel da Química 2011 - A Ciência é feita de controvérsias!

Em 2011 o Prémio Nobel da Química foi atribuido a Dan Shechtman pela descoberta dos "quase-cristais".


http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/chemistry/laureates/2011/

O trabalho desenvolvido pelo israelita Dan Shechtman consistiu na apresentação de uma inovadora abordagem da matéria no estado sólido. Ao arrefecer rapidamente uma mistura de alumínio e manganês, foi possível observar  ao microscópio círculos concêntricos, cada um formado por 10 pontos a igual distância uns dos outros. Estes átomos  dispunham-se numa nova estrutura química em forma de mosaico,  num padrão semelhante a mosaicos islâmicos. Contrariamente à teoria do empacotamento dos átomos num cristal que obedecia a padrões de simetria, este novo padarão não se repetia, tendo sido designado de "quase-cristais".

Esta descoberta, em 1982, foi alvo de controvérsia e Shechtman foi excluído do grupo de investigação em que trabalhava no National Institute for Science and Technology, em Washington D.C. Embora inicialmente rejeitado, o artigo sobre estes trabalhos acabou por ser publicado em 1984, perante a crítica de diversos sectores da comunidade científica.

O desenvolvimento de quase-cristais noutros laboratórios e a sua utilização em áreas tão diversas quanto a da produção de aço usado em material cirúrgico, revestimentos térmicos diversos, ou dispositivos de emissão de luz, são o resultado da ampla aceitação da teoria com o decurso do tempo, bem como do reconhecimento científico desta nova abordagem sobre a natureza da matéria.

Os quase-cristais foram descobertos na Natureza pela primeira vez em 2009, na Rússia. Actualmente, a investigação nesta área situa-se no desenvolvimento de quase-cristais com propriedades que potenciem a sua utilização como novos materiais com aplicações energéticas.

Mais informação em:
http://dererummundi.blogspot.com/2011/10/o-nobel-da-quimica-e-cristalografia.html#links

Prémio Nobel da Física 2011- Eisntein tinha razão?

O prémio Nobel da Física foi atribuído conjuntamente a Saul Permutter, Brian P. Schmidt e Adam G. Riess pela descoberta da aceleração da expansão do Universo.

http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/physics/laureates/2011/

Saul Permutter, Brian P. Schmidt e Adam G. Riess observaram supernovas, isto é estrelas pesadas que, chegando ao fim do seu ciclo de vida, explodem com uma luz muito característica. Assim, constataram que o Universo está em expansão acelerada, isto é, as distâncias entre as galáxias estão a aumentar de uma forma cada vez mais rápida.

Actualmente existem fortes evidências a favor do Big Bang, sendo esta teoria largamente aceite pela comunidade científica. Contudo, não se sabe ainda por que razão o Big Bang é acelerado.

Nos últimos anos, os físicos criaram o conceito de "energia escura" para tentar explicar esta acelerada expansão que tende a contrariar a força da gravidade.

Um dos maiores mistérios da física actual é descobrir a natureza desta energia escura, que constitui a maior parte da energia do Universo.

A este respeito o Prof. Carlos Fiolhais refere que:

"Quem se deve estar a rir é Einstein. O grande génio da física tinha introduzido nas suas equações, à mão, um termo chamado "constante cosmológica", que contrariava a expansão do Universo, para dar conta de um Universo estático que ele pensava existir. Mais tarde, quando se percebeu que o Universo em larga escala não era estático, ele afirmou que se tratou do "maior erro da sua vida". Ora, modernamente a energia escura é descrita por essa "constante cosmológica", um termo contrário à expansão do Universo. A história mostra que os maiores génios até são geniais quando se enganam, ou melhor, julgam que se enganam."